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Saúde

Maior estudo sobre borderline identifica fatores genéticos ligados ao transtorno

Pesquisa internacional analisou dados genéticos de mais de um milhão de pessoas e encontrou 11 regiões do DNA associadas ao Transtorno de Personalidade Borderline
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Um dos maiores estudos já realizados sobre o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) identificou 11 regiões do genoma humano associadas ao risco de desenvolver a condição. A pesquisa, publicada na revista científica Nature Genetics, analisou informações genéticas de mais de um milhão de pessoas de 14 países e representa o maior levantamento já feito sobre a influência da genética no transtorno.

O trabalho utilizou a metodologia conhecida como estudo de associação do genoma completo (GWAS), que compara milhões de marcadores genéticos para identificar variações relacionadas a determinadas doenças ou características.

Segundo os pesquisadores, os resultados oferecem uma compreensão mais ampla sobre a base biológica do borderline e podem contribuir para o desenvolvimento de diagnósticos mais precisos e tratamentos mais eficazes no futuro.

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11 regiões do DNA foram associadas ao transtorno

A pesquisa foi conduzida por uma equipe internacional liderada pelo Instituto Central de Saúde Mental de Mannheim, na Alemanha.

Inicialmente, os cientistas identificaram seis regiões do genoma, conhecidas como loci, que apresentavam diferenças significativas entre pessoas com e sem o transtorno. Após uma nova etapa de validação com outro grupo de participantes, o número de regiões associadas ao borderline aumentou para 11.

Ao todo, o estudo reuniu dados de 27 pesquisas anteriores, analisando mais de seis milhões de marcadores genéticos em 12.339 pessoas diagnosticadas com TPB e mais de 1 milhão de indivíduos sem o transtorno.

Genética explica parte do risco, mas não determina o diagnóstico

Os pesquisadores estimam que as variações genéticas identificadas respondem por cerca de 17% do risco hereditário relacionado ao borderline.

Apesar da descoberta, os autores ressaltam que a genética não é o único fator envolvido no desenvolvimento da condição.

Experiências de vida, especialmente durante a infância, como situações de abuso, negligência e traumas, continuam sendo fatores importantes. Ao mesmo tempo, o estudo destaca que nem todas as pessoas diagnosticadas com borderline apresentam histórico de trauma, indicando que diferentes mecanismos podem levar ao desenvolvimento do transtorno.

Pesquisas anteriores com famílias e irmãos gêmeos já haviam estimado que a hereditariedade do TPB varia entre 46% e 69%.

Borderline compartilha características genéticas com outros transtornos

Outra descoberta relevante foi que parte das variantes genéticas encontradas também aparece em pessoas com depressão, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) e comportamentos antissociais.

Os pesquisadores também observaram associação genética com algumas doenças físicas, como doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e diabetes.

Segundo os autores, esses resultados reforçam a necessidade de uma abordagem clínica que considere as comorbidades, ou seja, outras condições que frequentemente acompanham o transtorno.

Condição afeta emoções, relacionamentos e qualidade de vida

O Transtorno de Personalidade Borderline é caracterizado por instabilidade emocional intensa, impulsividade e dificuldades persistentes nos relacionamentos interpessoais.

Os sintomas costumam surgir ainda na adolescência e incluem mudanças bruscas de humor, medo intenso de abandono, alterações na autoimagem e comportamentos impulsivos.

Além disso, pessoas com o transtorno apresentam maior probabilidade de desenvolver outros transtornos psiquiátricos, como ansiedade e depressão, além de maior risco de comportamentos autolesivos.

Estima-se que o borderline atinja entre 0,9% e 1,9% da população nos países ocidentais, sendo diagnosticado com maior frequência em mulheres.

Descoberta pode impulsionar novas pesquisas

Os pesquisadores afirmam que a identificação desses marcadores genéticos representa um avanço importante para compreender como o transtorno se desenvolve.

Segundo a equipe, o próximo passo será ampliar os estudos para incluir populações com diferentes ancestralidades, já que a pesquisa atual concentrou-se principalmente em indivíduos de origem europeia.

Embora ainda não exista um medicamento específico capaz de tratar o Transtorno de Personalidade Borderline, os especialistas destacam que terapias psicológicas continuam sendo a principal forma de tratamento.

Entre as abordagens com maior evidência científica estão a Terapia Comportamental Dialética (TCD), a Terapia Baseada em Mentalização (MBT), a Terapia do Esquema e a Terapia Focada na Transferência (TFP), consideradas fundamentais para o controle dos sintomas e a melhora da qualidade de vida dos pacientes.

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