O avanço do fenômeno climático conhecido como Super El Niño pode provocar 857,4 mil mortes adicionais em todo o mundo entre junho de 2026 e março de 2027, segundo projeções do Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago.
No Brasil, a estimativa é de 26,7 mil mortes adicionais durante o período analisado, sendo 19,5 mil previstas para os seis meses seguintes a setembro.
O levantamento considera os efeitos das temperaturas acima da média sobre a mortalidade. Os pesquisadores estimam que, entre junho e setembro deste ano, o calor associado ao fenômeno já tenha contribuído para aproximadamente 484,5 mil mortes adicionais no mundo.
Os números são estimativas estatísticas, não registros de óbitos individualmente confirmados. O cálculo compara a mortalidade projetada com aquela esperada em condições climáticas consideradas normais, utilizando dados históricos de 1996 a 2025.
Amazonas está entre os estados mais afetados
O Brasil aparece na quarta posição entre os países com maior mortalidade adicional projetada para o período.
Entre os estados brasileiros, o Pará lidera as estimativas, com 3,8 mil mortes adicionais até março de 2027.
Na sequência aparecem Maranhão, com 2,8 mil; Amazonas, com 2,2 mil; e Bahia, com 2,1 mil mortes projetadas.
Os resultados indicam maior vulnerabilidade de determinadas regiões brasileiras aos efeitos do calor intenso, especialmente onde as temperaturas elevadas podem agravar problemas de saúde e dificultar o acesso a condições adequadas de proteção.
Fenômeno pode intensificar eventos extremos
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, provocando alterações nos padrões de temperatura e precipitação em diferentes regiões do planeta.
Segundo o alerta citado da Organização Meteorológica Mundial (OMM), o episódio atual pode estar entre os mais intensos já registrados, com efeitos que devem se prolongar pelos próximos meses.
No Brasil, o fenômeno costuma estar associado ao aumento das chuvas na região Sul e a condições mais secas em áreas do Norte e Nordeste, embora os impactos variem conforme a região e o período.
Calor extremo representa risco à saúde
As temperaturas elevadas podem aumentar os casos de desidratação, agravar doenças cardiovasculares e respiratórias e ampliar os riscos para idosos, crianças e pessoas com condições de saúde preexistentes.
O calor também pode contribuir para a insegurança alimentar e favorecer condições ambientais relacionadas à transmissão de determinadas doenças.
Pesquisadores alertam que o aquecimento global pode intensificar os impactos de fenômenos climáticos extremos, ampliando os desafios para os sistemas de saúde.
O estudo reforça a necessidade de medidas de adaptação climática e proteção das populações mais vulneráveis, especialmente diante da possibilidade de novos episódios de calor intenso.

