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Saúde

Brasil precisa reformular rastreamento do câncer do colo do útero para alcançar mulheres de maior risco, defendem especialistas

Mesmo sendo uma doença prevenível e com tecnologia disponível, o país ainda registra milhares de casos e mortes, sobretudo entre mulheres vulneráveis
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a prevenção alcance principalmente as mulheres em situação de maior vulnerabilidade. Especialistas apontam que, embora a doença tenha causa conhecida, vacina disponível e exames eficazes para detecção precoce, ainda há falhas estruturais no acesso e na organização do cuidado.

O câncer do colo do útero está diretamente relacionado à infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV) e permanece como um dos principais desafios da saúde pública. O país registra cerca de 17 mil novos casos por ano e aproximadamente 7 mil mortes anuais, números considerados elevados para uma doença amplamente evitável.

Atualmente, é a quarta causa de câncer entre mulheres no mundo e está entre os tipos mais incidentes no Brasil, refletindo desigualdades no acesso à prevenção.

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Falhas no acesso e diagnóstico tardio

O modelo predominante de rastreamento no país é baseado no exame citopatológico (Papanicolau), indicado para mulheres de 25 a 64 anos. Embora tenha contribuído para reduzir a incidência nas últimas décadas, o sistema ainda funciona, em grande parte, de forma oportunística, ou seja, depende da iniciativa da própria paciente em procurar o serviço de saúde.

Na prática, muitas das mortes ocorrem entre mulheres que nunca realizaram o exame preventivo ou que chegam aos serviços com a doença em estágio avançado, quando as chances de cura são menores.

Estima-se que cerca de 60% dos diagnósticos no Brasil ocorram em fases avançadas, evidenciando falhas na busca ativa e no acompanhamento contínuo das pacientes.

Nova tecnologia e limites do sistema

Desde 2023, o Ministério da Saúde iniciou a implementação do teste de DNA-HPV, considerado mais sensível que o Papanicolau para identificar alterações precursoras do câncer. O exame permite detectar o vírus antes mesmo do desenvolvimento de lesões, além de possibilitar intervalos maiores entre coletas quando o resultado é negativo.

A tecnologia também favorece estratégias como a autocoleta, ampliando o acesso em territórios de difícil alcance.

No entanto, especialistas alertam que a incorporação de tecnologia, isoladamente, não resolve o problema. É necessário reorganizar o modelo de rastreamento, estruturar sistemas de convocação e garantir que mulheres com exames alterados tenham acompanhamento e tratamento oportunos.

Vacinação e meta de eliminação

A vacinação contra o HPV, disponível gratuitamente no SUS desde 2014, é considerada pilar fundamental da prevenção. Apesar disso, a cobertura vacinal ainda precisa avançar para atingir níveis ideais de proteção coletiva.

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