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Casos de violência sexual contra crianças e adolescentes crescem 184% em três anos no Amazonas

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Levantamento aponta que aumento é mais expressivo entre as crianças mais novas

O Amazonas registrou um aumento de 184% nos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes entre 2021 e 2023. No período, o número de ocorrências passou de 321 para 914, segundo estudo do Unicef em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O levantamento, baseado em dados das Secretarias de Segurança Pública estaduais, revela que o crescimento foi sentido em quase todas as faixas etárias, sendo ainda mais significativo entre as crianças mais novas. Entre 0 e 4 anos, os casos subiram de 34 para 80, enquanto em crianças de 5 a 9 anos os registros mais que dobraram, passando de 75 para 215.

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A faixa etária de 10 a 14 anos, que concentra o maior número de vítimas, registrou um aumento de 163 para 500 casos. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, os casos cresceram de 49 para 119.

FOTO: Freepik

Apesar do crescimento acentuado, o Amazonas teve, em 2023, uma taxa de violência sexual contra crianças e adolescentes abaixo da média nacional, com 63,3 casos por 100 mil, contra 116,4 casos por 100 mil no Brasil. Entre os estados da Amazônia Legal, apenas Amazonas e Maranhão ficaram fora do ranking das dez maiores taxas do país.

No recorte regional, a Amazônia Legal, que inclui mais de 700 municípios em nove estados, índices mais altos que a média nacional. Em 2023, a taxa foi de 141,3 casos por 100 mil crianças e adolescentes, 21,4% acima da média do país. Além disso, o crescimento das ocorrências na região foi mais acelerado: entre 2021 e 2022, o aumento nacional foi de 12,5%, enquanto a Amazônia Legal registrou 26,4%.

Entre 2021 e 2023, mais de 38 mil casos de estupro contra vítimas de até 19 anos foram notificados na região, além de quase 3 mil mortes violentas intencionais envolvendo jovens. O estudo ressalta que crianças e adolescentes da Amazônia enfrentam maior vulnerabilidade, seja pela distância dos centros urbanos, pela escassez de serviços públicos especializados ou por fatores socioeconômicos que dificultam a prevenção e proteção.

Segundo os autores, a combinação de altas taxas e crescimento acelerado evidencia um quadro que exige atenção urgente da sociedade civil e políticas públicas específicas, com proteção social efetiva e fortalecimento das redes de atendimento.

“Os dados indicam que a violência sexual contra crianças e adolescentes na Amazônia não é apenas mais frequente que no restante do país, mas também cresce mais rápido, o que demanda ação imediata e políticas públicas robustas”, afirmam os pesquisadores.

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