Rede MLC
Notícias

CNJ e Corregedoria do Amazonas lançam canal exclusivo para denúncias de violência contra a mulher

Projeto-piloto cria formulário eletrônico para acolhimento e apuração de casos no Judiciário e pode ser expandido para todo o país
Publicidade

Em uma iniciativa inédita no país, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Corregedoria-Geral de Justiça do Amazonas (CGJ-AM) lançaram um canal específico para o recebimento e apuração de denúncias de violência contra a mulher no âmbito do Poder Judiciário e dos serviços extrajudiciais. A ação integra um projeto-piloto nacional, com possibilidade de replicação em outros estados.

O novo canal faz parte do fortalecimento da política permanente de enfrentamento à violência de gênero e está disponível no site oficial da Corregedoria-Geral de Justiça do Amazonas. A ferramenta foi desenvolvida para ampliar o acolhimento às vítimas e aprimorar os mecanismos de fiscalização e responsabilização.

Com foco nas atribuições das Corregedorias Nacional e Estadual, o sistema permitirá intensificar a inspeção em unidades judiciárias, administrativas do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e também em serventias extrajudiciais (cartórios), com o objetivo de coibir todas as formas de violência de gênero.

Publicidade

O projeto foi proposto pela Corregedoria Nacional de Justiça e começou a ser discutido em outubro de 2025, quando equipes do CNJ estiveram em Manaus para alinhar a implementação da iniciativa, conforme as diretrizes do Provimento nº 201 do CNJ.

Como desdobramento das tratativas, a CGJ-AM instituiu, ainda em 2025, o Núcleo de Monitoramento de Perspectiva de Gênero, por meio do Provimento nº 524/2025, assinado pelo corregedor-geral de Justiça do Amazonas, desembargador José Hamilton Saraiva dos Santos.

O Núcleo reforça o compromisso institucional do Judiciário amazonense com o enfrentamento efetivo da violência contra a mulher e passou a disponibilizar o Formulário Eletrônico de Representação por Violência contra a Mulher, ferramenta central da nova política.

Como funciona o canal de denúncias

O formulário eletrônico permite que a vítima informe se há processo judicial relacionado ao caso, além de dados como cidade ou comarca, Vara ou setor do Judiciário, data ou período aproximado do ocorrido e se a violência ainda persiste ou foi um episódio isolado.

Também é possível identificar quem praticou a violência, com destaque para o cargo ou função do(a) agressor(a). O sistema contempla diferentes tipos de violência, como física, psicológica, sexual, patrimonial, moral e institucional.

O canal ainda possibilita o relato detalhado dos fatos, a indicação de registros anteriores em órgãos como Ouvidoria, Corregedoria, CNJ, delegacia, Ministério Público ou Defensoria Pública, além do anexo de documentos, imagens, áudios, boletins de ocorrência, atestados médicos e outros elementos relevantes para a apuração.

O formulário inclui termos de privacidade e autorização para uso de dados, garantindo segurança da informação e possibilitando a produção de estatísticas e estudos sobre violência de gênero.

Rede de apoio imediato

Além do recebimento das denúncias, o espaço disponibiliza contatos de emergência e apoio, voltados especialmente a juízas, servidoras, notárias e registradoras, como:

  • Disque 190 – Polícia Militar

  • Disque 180 – Central de Atendimento à Mulher

  • Delegacia da Mulher: (92) 3214-2130

  • Casa da Mulher Brasileira: (92) 98415-5788

Segundo o juiz-corregedor auxiliar Igor de Carvalho Leal Campagnolli, o canal amplia o acolhimento institucional. “O Núcleo dispõe de ferramentas tecnológicas modernas, que asseguram acolhimento adequado às vítimas e transparência no processamento das representações. Também conta com um painel de Business Intelligence, atualizado semanalmente, com dados sobre perfil das vítimas, tipos de violência e volume de denúncias”, afirmou.

Projeto-piloto nacional

O Núcleo de Monitoramento de Perspectiva de Gênero é resultado de um acordo de cooperação técnica entre o CNJ e o TJAM, anunciado em dezembro de 2024, que definiu o Amazonas como estado-piloto de uma política pública que deverá ser expandida nacionalmente.

Entre as atribuições do Núcleo estão a implementação das diretrizes do Provimento CNJ nº 201/2025, o monitoramento da aplicação do Protocolo de Julgamento com Perspectiva de Gênero, a produção de relatórios periódicos, a promoção de capacitações contínuas e a articulação com a rede de proteção à mulher, garantindo uma atuação integrada e efetiva.

Publicidade

Leia mais

Comércio de Manaus terá horário especial no feriado de Tiradentes

Brenda Gomes

Manaus abre edital para transformar ruas em pontos de encontro durante a Copa do Mundo de 2026

Brenda Gomes

Prefeitura de Manacapuru é investigada por suspeitas em licitação de informática

Brenda Gomes

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Entendemos que você está de acordo com isso, mas você pode cancelar, se desejar. Aceito Leia Mais