Um estudo publicado na revista científica Nature Human Behaviour identificou uma associação entre o uso precoce das redes sociais e um desempenho escolar inferior ao longo dos anos. A pesquisa analisou dados de mais de 5 mil estudantes italianos, com idades entre 7 e 16 anos, e concluiu que aqueles que criaram perfis nas plataformas mais cedo apresentaram notas mais baixas do que os colegas que ingressaram nas redes sociais apenas anos depois.
Os pesquisadores utilizaram questionários sobre o uso de mídias digitais e compararam essas informações com o desempenho dos estudantes em provas padronizadas de italiano, matemática e inglês.
Quanto mais cedo o acesso, maior a associação com notas mais baixas
Os participantes foram divididos conforme a série escolar em que criaram sua primeira conta em redes sociais. O grupo que começou a utilizar essas plataformas a partir da 9ª série foi usado como referência.
Os resultados mostraram que estudantes que ingressaram nas redes sociais ainda na 6ª série tiveram desempenho significativamente inferior em italiano e matemática. Na área da educação, os pesquisadores destacam que a diferença encontrada equivale, aproximadamente, a um atraso de seis meses de aprendizagem.
O estudo também identificou impacto entre alunos que criaram contas na 7ª e na 8ª séries, embora de forma menos intensa. Segundo os autores, quanto mais cedo ocorreu a entrada nas redes sociais, maior foi a associação com um rendimento acadêmico inferior.
Notificações e excesso de telas podem explicar parte do resultado
Os pesquisadores não encontraram diferenças relevantes nas notas de inglês, hipótese que pode estar relacionada à grande quantidade de conteúdos disponíveis nesse idioma dentro das próprias redes sociais.
De acordo com os autores, os resultados reforçam evidências de que o uso precoce das mídias sociais pode prejudicar a aprendizagem, principalmente devido ao uso constante de smartphones durante momentos importantes do dia, como os períodos de estudo.
Uma das hipóteses levantadas é que a checagem frequente de notificações funcione como um fator permanente de distração, reduzindo a concentração e comprometendo o aprendizado.
Pesquisa aponta associação, mas não estabelece causa
Os pesquisadores ressaltam que o estudo apresenta limitações e não comprova que as redes sociais sejam, sozinhas, a causa da queda no desempenho escolar.
Entre os fatores que não foram analisados estão o rendimento dos estudantes antes de criarem suas contas, além de aspectos como estrutura familiar, contexto socioeconômico e escolaridade dos pais, que também podem influenciar o desenvolvimento acadêmico.
Ainda assim, os autores defendem que os resultados reforçam a necessidade de novas pesquisas e de um debate sobre a idade de acesso às redes sociais e seus possíveis impactos na educação.

