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MPF processa União, hospital e médicos por estudo com proxalutamida durante a Covid-19 no Amazonas

Ação aponta irregularidades em pesquisa realizada em 2021 e cita cerca de 200 mortes durante o estudo
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O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública contra a União, a rede de hospitais Samel e dois médicos por supostas irregularidades em uma pesquisa clínica realizada durante a pandemia da Covid-19 no Amazonas. O estudo envolvia o uso do medicamento experimental proxalutamida.

Segundo o MPF, o ensaio clínico realizado em fevereiro de 2021, durante a segunda onda da Covid-19, teria resultado em aproximadamente 200 mortes entre os participantes.

MPF aponta falhas graves na condução do estudo

De acordo com a investigação, a pesquisa teria apresentado uma série de irregularidades, como:

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  • Falta de treinamento adequado das equipes envolvidas
  • Ausência de formulários e registros completos
  • Inconsistências nos dados coletados
  • Problemas na dispensação do medicamento

A análise também aponta falhas na supervisão e fiscalização do estudo.

Medicamento era experimental e não tem registro no Brasil

A proxalutamida é uma droga experimental estudada para tratamentos de alguns tipos de câncer, como o de próstata, mas:

  • Não possui registro na Anvisa
  • Não é utilizada em tratamentos no Brasil
  • Seu uso é restrito a pesquisas específicas

Pesquisa teria sido ampliada sem autorização adequada

O MPF afirma que a autorização original da pesquisa era limitada a uma clínica no Distrito Federal, sem permissão para expansão a outras unidades.

Apesar disso, o estudo teria sido realizado no Amazonas, com participação de cerca de 600 pessoas em municípios como Manaus, Maués, Parintins e Itacoatiara, sendo parte delas submetidas ao medicamento e outra parte ao placebo.

Responsabilizações e pedido de indenização

Na ação, o MPF pede a condenação dos envolvidos ao pagamento de R$ 85 milhões por danos coletivos, além de medidas para evitar a realização de pesquisas semelhantes sem controle ético adequado.

Os citados incluem:

  • A União, por suposta falha na fiscalização
  • A rede hospitalar Samel, responsável pela estrutura do estudo
  • Dois médicos envolvidos na condução da pesquisa

Posição do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde informou que tem atuado no fortalecimento de protocolos científicos baseados em evidências e no combate ao negacionismo científico, além de destacar a nova Lei de Pesquisa Clínica como ferramenta para tornar os estudos mais seguros e transparentes no país.

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