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Senado suspende protocolo nacional para atendimento de aborto legal em crianças e adolescentes vítimas de estupro

Direito ao aborto previsto em lei permanece garantido, mas decisão elimina diretrizes nacionais que orientavam hospitais e serviços públicos em todo o país
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O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (2) um projeto de decreto legislativo que suspende o protocolo nacional de atendimento ao aborto legal destinado a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.

A norma havia sido criada pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente em 2024 e estava em vigor desde janeiro de 2025. O objetivo era estabelecer procedimentos padronizados para garantir atendimento rápido, sigiloso e humanizado às vítimas nos serviços de saúde.

Com a decisão, o direito ao aborto legal nos casos previstos pela legislação brasileira continua mantido, mas deixa de existir uma orientação nacional única sobre como esse atendimento deve ser realizado.

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Hospitais poderão adotar procedimentos próprios

A suspensão do protocolo faz com que cada hospital, município ou estado possa definir seus próprios procedimentos para o atendimento das vítimas.

Especialistas apontam que a medida pode gerar diferenças no acesso ao serviço entre regiões do país, além de possíveis dúvidas jurídicas sobre a condução dos casos.

A votação ocorreu de forma simbólica, sem registro nominal dos votos dos senadores. Como se trata de um decreto legislativo, a medida não depende de sanção presidencial para entrar em vigor.

Diretrizes que deixam de valer

Entre os principais pontos previstos no protocolo que foram suspensos estão:

  • Atendimento imediato e sigiloso às vítimas;
  • Escuta especializada para evitar a repetição traumática dos relatos;
  • Capacitação e treinamento de profissionais de saúde;
  • Apoio jurídico gratuito em situações de conflito familiar;
  • Possibilidade de acionamento da Defensoria Pública e do Ministério Público em casos de divergência entre a vontade da criança e a decisão dos responsáveis legais.

Entidades demonstram preocupação

Após a aprovação da proposta, especialistas e representantes de órgãos ligados aos direitos humanos manifestaram preocupação com os impactos da medida.

Segundo as avaliações apresentadas por essas entidades, a ausência de um protocolo nacional pode fazer com que o acesso ao atendimento varie conforme a estrutura e os critérios adotados por cada localidade.

O receio é que crianças e adolescentes vítimas de violência sexual enfrentem mais burocracia, demora nos atendimentos e diferenças no acesso aos serviços, dependendo do município ou estado onde buscarem assistência.

Aborto legal continua previsto na legislação

A decisão do Senado não altera as hipóteses em que o aborto é permitido pela legislação brasileira.

Atualmente, o procedimento pode ser realizado nos casos previstos em lei, incluindo gravidez resultante de estupro, além de outras situações autorizadas pela legislação e por decisões judiciais vigentes.

Com a suspensão do protocolo, o debate passa a se concentrar na forma como os serviços de saúde deverão organizar e padronizar o atendimento às vítimas em todo o país.

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