Pesquisadores descobriram, pela primeira vez, como o vírus da influenza A, responsável pela gripe, altera o funcionamento das células humanas para facilitar sua multiplicação. Os resultados do estudo foram publicados nesta segunda-feira (20) na revista científica Nature Microbiology.
A pesquisa foi conduzida por cientistas do Laboratório Europeu de Biologia Molecular (EMBL), na Alemanha, em colaboração com pesquisadores de outras instituições. Segundo os autores, as descobertas podem contribuir para o desenvolvimento de novos medicamentos e vacinas contra a gripe.
Como o vírus assume o controle da célula
Ao invadir uma célula, o vírus libera seu material genético e passa a utilizar a estrutura da própria célula para produzir novas partículas virais.
Diferentemente de estudos anteriores, que analisavam células após serem rompidas em laboratório, os pesquisadores utilizaram uma técnica capaz de observar as interações entre proteínas diretamente em células infectadas e intactas. Em seguida, combinaram os dados com modelos computacionais para reconstruir essas conexões.
Para essa etapa, a equipe utilizou uma versão adaptada do AlphaFold, sistema de inteligência artificial desenvolvido para prever a estrutura de proteínas.
Duas estratégias usadas pelo vírus
O estudo identificou dois mecanismos principais utilizados pelo vírus para favorecer sua replicação.
O primeiro envolve a hemaglutinina, proteína presente na superfície do vírus responsável por permitir sua entrada nas células. Os pesquisadores verificaram que proteínas da própria célula ajudam essa molécula a adquirir a forma necessária para manter o ciclo de infecção.
Já o segundo mecanismo está relacionado aos paraspeckles, pequenas estruturas localizadas no núcleo celular. Segundo a pesquisa, o vírus promove a desintegração dessas estruturas, liberando proteínas que passam a ser utilizadas na produção de novas cópias do vírus. Esse processo também pode reduzir parte das defesas naturais da célula contra a infecção.
Descoberta pode acelerar novas terapias
Os cientistas afirmam que a metodologia utilizada poderá ser aplicada ao estudo de outros vírus com potencial pandêmico, como o H5N1.
De acordo com os pesquisadores, compreender em detalhes a interação entre vírus e células humanas poderá identificar novos alvos para medicamentos antivirais, além de contribuir para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes e estratégias de prevenção contra futuras epidemias.

