Quatro dias após o vazamento de monômero de estireno na fábrica da Innova, no Distrito Industrial de Manaus, as equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) permanecem atuando no controle da ocorrência. Mesmo após mais de 86 horas de operação, o tanque onde ocorreu o incidente continua sendo resfriado para evitar novos riscos.
O vazamento aconteceu na tarde da última quarta-feira (15), após uma alteração na temperatura do reservatório utilizado para armazenar o produto químico. Desde então, a área ao redor da empresa permanece isolada, enquanto os bombeiros monitoram constantemente a estrutura com equipamentos de medição térmica e realizam procedimentos para reduzir a concentração do gás.
Segundo a Innova, o reservatório está estabilizado e não há emissão de vapores para o ambiente. Apesar disso, os trabalhos das equipes de emergência seguem sem previsão de encerramento.
Fiscalização identificou danos na estrutura
Durante as inspeções realizadas no local, um drone equipado com câmera térmica identificou uma fissura na bacia de contenção do tanque, além de indícios de continuidade do vazamento. Com base na vistoria, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) determinou a interdição parcial da unidade industrial.
O caso também resultou em sanções ambientais superiores a R$ 22 milhões. A Prefeitura de Manaus aplicou multas por danos ao ar, ao solo e a recursos hídricos, enquanto o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) autuou a empresa por poluição atmosférica.
Atendimentos seguem sendo contabilizados
Os reflexos do vazamento continuam sendo monitorados pelas autoridades de saúde. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) informou que 213 pessoas procuraram atendimento na rede estadual em razão de sintomas relacionados à exposição ao estireno. O paciente que permanecia internado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) apresentou melhora e foi transferido para a enfermaria.
Já a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) havia divulgado anteriormente um total de 414 atendimentos registrados entre as redes municipal e privada desde o início da ocorrência.
Produção continuou após o vazamento
Informações divulgadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontam que a Innova manteve parte das atividades industriais por cerca de 48 horas após o incidente. Conforme o órgão, a empresa utilizou o produto armazenado no tanque para acelerar o esvaziamento da estrutura, procedimento que agora faz parte das investigações.
Moradores relatam efeitos da exposição
Enquanto a operação continua, moradores e trabalhadores das proximidades afirmam que ainda sentem o odor característico da substância e relatam sintomas como dor de cabeça, irritação nos olhos, náusea, falta de ar, aperto na garganta e diarreia.
Especialistas explicam que esses efeitos são compatíveis com a exposição ao monômero de estireno, composto utilizado na fabricação de plásticos e borrachas sintéticas. De acordo com pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o produto evapora rapidamente e pode ser transportado pelo vento, aumentando o alcance da contaminação. Também há preocupação com possíveis impactos ambientais caso a substância entre em contato com a água da chuva.
As causas do incidente seguem sendo investigadas pelos órgãos competentes. A principal linha de apuração considera que uma reação química espontânea possa ter provocado o aumento da temperatura no interior do tanque, desencadeando o vazamento.


