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De dentro da prisão para o centro da investigação: como bilhetes do PCC chegaram até Deolane Bezerra

Relatório enviado à SAP aponta suposto tratamento privilegiado à influenciadora na Penitenciária Feminina de Santana. Defesa pede prisão domiciliar e OAB afirma que advogados presos preventivamente têm direito a local separado dos demais detentos
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Tudo começou com pedaços de papel encontrados dentro de uma penitenciária de segurança máxima em São Paulo.

Em meio à rotina de fiscalização na Penitenciária II de Presidente Venceslau, agentes penitenciários localizaram bilhetes manuscritos atribuídos ao PCC. Os chamados “salves” traziam ordens internas da facção, movimentações financeiras e referências a pessoas que atuariam fora dos presídios para administrar dinheiro do grupo criminoso.

Entre os nomes citados de forma indireta, uma anotação chamou atenção dos investigadores: “a mulher da transportadora”.

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Na época, a frase parecia apenas mais um trecho solto entre dezenas de mensagens apreendidas. Mas, anos depois, ela se tornaria uma das peças centrais de uma investigação que acabaria chegando ao nome da influenciadora e advogada Deolane Bezerra.

Segundo as investigações, a polícia passou a rastrear empresas suspeitas de movimentar recursos ligados à facção criminosa. Uma delas era a Lado a Lado Transportes, apontada como possível empresa de fachada utilizada para operações financeiras milionárias.

De acordo com os investigadores, a transportadora teria movimentado mais de R$ 20 milhões em transações consideradas suspeitas. Parte dessas operações estaria ligada a contas associadas a Deolane.

A análise de celulares apreendidos, comprovantes bancários e movimentações financeiras também teria revelado conexões entre operadores do esquema e integrantes próximos da cúpula do PCC, incluindo pessoas ligadas a Marcola, apontado como principal liderança da facção.

Com o avanço das investigações, o Ministério Público e a Polícia Civil solicitaram o bloqueio de bens e valores que ultrapassam R$ 327 milhões, além da apreensão de veículos de luxo e imóveis ligados aos investigados.

A operação, batizada de Vérnix, voltou a colocar Deolane no centro das investigações policiais. A influenciadora já havia sido alvo de outra ação policial em 2024, relacionada a suspeitas de lavagem de dinheiro.

Conhecida nacionalmente após a morte do funkeiro MC Kevin, Deolane construiu uma forte presença nas redes sociais e acumula milhões de seguidores na internet.

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O caso chamou atenção não apenas pelo envolvimento de uma figura pública, mas também pela forma como a investigação se desenvolveu: começando com bilhetes escritos à mão dentro de uma prisão e avançando até um esquema financeiro milionário fora dela.

Para os investigadores, os “salves” encontrados no presídio ajudaram a revelar como organizações criminosas conseguem manter estruturas financeiras ativas mesmo longe das ruas, utilizando empresas, intermediários e movimentações bancárias para ocultar recursos.

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