O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já desembolsou R$ 33,89 bilhões em emendas parlamentares entre janeiro e o início de julho de 2026, estabelecendo o maior volume de pagamentos registrado em um ano de eleições federais desde o início da série histórica do Painel Siga Brasil, do Senado Federal.
Os dados consideram tanto as emendas do orçamento de 2026 quanto os restos a pagar de exercícios anteriores. O montante já supera o total desembolsado durante todo o ano de 2022, quando foram pagos R$ 28,04 bilhões em emendas parlamentares.
Na comparação com outros anos eleitorais, o avanço também é expressivo. Considerando apenas os pagamentos realizados até o fim de junho, o volume executado em 2026 é cerca de 65% superior ao registrado em 2022, quando haviam sido liberados R$ 20,43 bilhões, e 428% maior que em 2018, ano em que o valor pago no mesmo período foi de R$ 6,41 bilhões.
Mesmo com a correção pela inflação, utilizando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), 2026 continua apresentando o maior volume de recursos pagos em anos de eleições federais. Corrigidos, os pagamentos de 2022 equivaleriam a R$ 21,63 bilhões, enquanto os de 2018 chegariam a R$ 9,6 bilhões.
Nos anos de eleições municipais também há diferença significativa. Em 2024, por exemplo, o total pago em emendas ao longo de todo o ano foi de R$ 31,4 bilhões, valor inferior ao que já foi desembolsado em pouco mais de seis meses de 2026.
Pagamentos por ano
- 2026 (até julho): R$ 33,89 bilhões
- 2025: R$ 44,97 bilhões
- 2024: R$ 40,02 bilhões
- 2023: R$ 34,42 bilhões
- 2022: R$ 28,04 bilhões
- 2021: R$ 25,10 bilhões
- 2020: R$ 21,54 bilhões
- 2019: R$ 9,98 bilhões
- 2018: R$ 9,84 bilhões
- 2017: R$ 4,96 bilhões
- 2016: R$ 3,65 bilhões
- 2015: R$ 44,9 milhões
Do total pago em 2026, R$ 25,31 bilhões correspondem a emendas do orçamento deste ano, enquanto R$ 8,58 bilhões referem-se a restos a pagar de exercícios anteriores. No primeiro semestre, foram executadas despesas relacionadas a 23.752 emendas apresentadas por deputados federais e senadores.
Saúde concentra maior parte dos recursos
A maior parcela das emendas pagas em 2026 foi destinada à área da saúde. A subfunção Atenção Básica recebeu R$ 10,93 bilhões, seguida por Assistência Hospitalar e Ambulatorial, com R$ 10,73 bilhões.
Outras áreas contempladas incluem:
- Outras Transferências: R$ 4,55 bilhões;
- Assistência Comunitária: R$ 1,29 bilhão;
- Promoção da Produção Agropecuária: R$ 1,21 bilhão;
- Serviços Socioassistenciais: R$ 965,23 milhões;
- Desporto Comunitário: R$ 752,5 milhões;
- Infraestrutura Urbana: R$ 720,84 milhões.
Entre os órgãos beneficiados, o Ministério da Saúde lidera com ampla vantagem, tendo recebido R$ 21,79 bilhões em emendas parlamentares.
Na sequência aparecem:
- Transferências para Estados, Distrito Federal e Municípios: R$ 4,54 bilhões;
- Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional: R$ 1,71 bilhão;
- Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social: R$ 1,08 bilhão;
- Ministério da Agricultura e Pecuária: R$ 821,2 milhões;
- Ministério do Esporte: R$ 757,13 milhões;
- Ministério da Educação: R$ 706,97 milhões.

